Especial/Sétima arte

O Fantástico Mundo de Wes Anderson

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Por nome não é um dos diretores mais conhecidos como Woody Allen ou Stanley Kubrick; até um ano atrás, como cinéfila que estou sempre disposta a ver todo tipo de filme, não havia escutado falar, porém desde que assisti Moonrise Kingdom, seu último filme lançado, fiquei interessada e corri atrás de todos os seus trabalhos. Wes tem uma visão única de como o caos pode ser transformado em algo cômico e bonito. O que mais me encantou nos seus trabalhos foi a leveza e a simetria em que consegue apresentar seus personagens excêntricos e seus dramas. Outra característica importante do Wes Anderson é sua facilidade em criar parcerias, não existe uma grande variação de elenco em seus filmes. Owen Wilson, Bill Murray e Jason Schwartzman são alguns dos nomes que frequentemente aparecem em suas obras.

O diretor começou a desenvolver sua “visão de mundo” na Universidade do Texas, onde elaborou seus primeiros filmes com o amigo e colega de quarto Owen Wilson; um deles é BottleRocket (1996), uma espécie de “Cães de Aluguel” com nerds tentando bancar uma gangue de ladrões. Após BottleRocket, Wes emplacou dois grandes sucessos, o primeiro deles Rushmore (Três é demais), que conta a história de um adolescente de 15 anos de uma escola tradicional, Max Fischer (Jason Schwartzman), que apesar de ser brilhante é um péssimo aluno, onde dedica todo seu tempo a atividade extracurriculares excêntricas. Bill Murray atua como um velho decadente que, em certo momento, disputa o amor de uma professora com o jovem estudante. Logo nesse seu segundo trabalho já conseguimos identificar suas marcas registradas: enquadramentos simétricos, cores fortes, figurino vintage, cenários detalhistas, e seus personagens excêntricos.

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O segundo sucesso fica por conta de The Royal Tenenbaums (Os Excêntricos Tenenbaums), filme lançado em 2001 e que faz uma crítica sobre os caminhos para a felicidade, e sobre o real sentido sobre família, conflitos entre irmãos, amizades postas à prova, amores idealizados, sentimentos de abandono, insegurança e de não-pertencimento. O filme é sobre uma família desajustada, onde seus personagens principais quando apresentados ainda na infância possuem todos os critérios para crianças prodígios, porém, como são criados sob essa base familiar em declínio, o futuro de cada um acaba sendo desguiado do esperado. O prólogo do filme, narrado por Alec Baldwin ao som de uma versão orquestrada de Hey Jude dos Beatles, apresenta cada um dos integrantes da família Tenenbaum, destacando suas características mais marcantes, características estas que definirão as suas atitudes ao longo da história.

Outros trabalhos com as mesmas características excêntricas e fantásticas de Wes são The Life Aquaticwith Steve Zissou (A Vida Marinha com Steve Zissou, em 2004); o curta-metragem Hotel Chevalier em 2007 serviu como introdução para o longa The Darjeeling Limited (Viagem a Darjeeling); e em 2009 o diretor veio com uma animação quase toda feita em stop motion, o Fantastic Mr. Fox (O Fantástico Sr. Raposo).

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E então em 2012 Wes Anderson veio com o Moonrise Kingdom, meu queridinho, onde narra de maneira sutil e única a história de amor proibida de dois pré-adolescentes que decidem fugir de casa para viver o amor que sentem um pelo outro. O filme se passa em uma pequena ilha nos Estados Unidos da década de 60, Suzy é a filha problemática de uma família desestabilizada e Sam um menino órfão que vive em um lar adotivo. O ponto forte do filme é a forma como o diretor leva a sério as angústias e a fuga dos personagens. E a grandeza deste filme está, além de toda a técnica irretocável, nesta reflexão sobre as fases e encantos diferentes que vivenciamos no decorrer da vida, sobre como temos que correr atrás se realmente acreditamos naquilo. É mais um filme de Wes sobre como devemos estar sempre à procura da felicidade apesar dos destroços que podem estar pelo caminho.

por Cami Brito

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