Entrevista/Música

Juliana Sinimbú: A Beleza Traduzida em Talento

551640_419401288082242_1095905012_n

Como definir Juliana Sinimbú…
 
Confesso que quando recebi a pauta para a entrevista com Juliana Sinimbú minha reação foi semelhante a um trecho da letra de “Vida é Sonho”, do Grande Renato Torres, “Eu menino que sou, dei pulos de alegria…”, canção que Juliana interpreta tão bem. Essa reação, meio exagerada, se justifica logo quando se tem contato com o ainda escasso registro musical disponibilizado pela cantora. Sua voz é um misto de suavidade e malicia. Branda, daquelas que conseguem penetrar o profundo inconsciente, e altiva, te despertando para os caprichos de sua persona, reverberada por sua beleza e elegância.
É uma dessas joias que se descobrem pelo acaso, não é filha de músicos, e nem nasceu envolta de artistas, mas soube atraí-los para próximo de si. Há quem acredite que boas coisas não acontecem de forma isolada, e o Pará vive hoje uma belle époque cultural, Juliana é parte disso. Para os olhos mais atentos, e que já acompanham seu trabalho há mais tempo, fica claro que a cantora sabe trilhar seus próprios caminhos, tem o seu momento. Não é a voga que a conduz, mas como boa leonina, ela tem as rédeas, e sua arte vai além das multidões. É uma música muito mais densa, e encorpada. Juliana consegue não deixá-la elitizada, inacessível, mas não abrindo mão de transferir para o que canta sentimentos mais sofisticados, porem acessíveis a qualquer pessoa.
Quando começou era apenas intérprete, mas o bom gosto sempre a acompanhou. Influenciada por grandes compositores, e seus ídolos, de cara, revelam que a moça é conhecedora da crème de la crème da música,  que, contribuíram e ainda contribuem para a formação de sua singular personalidade artística. Mesmo o pouco tempo de carreira já foi suficiente para que descobrisse outro talento. Como se já não bastasse o magnetismo exercido por tudo que o bom Deus lhe atribuiu, ela ainda consegue transferir para o papel histórias e sentimentos, de forma que você é conduzido suavemente para o contexto criado por sua interpretação de veludo.
Fotos: Renato Reis
61920_1597093574213_3628614_n164408_1747622297337_851697_n
Um exemplo é “Vodka”, que ao ouvi-la em um show autoral que Juliana fez no Sesc Boulevard, imediatamente fui conduzido a um ambiente a meia luz, com duas pessoas trocando caricias e malicias, ao mesmo tempo em que repudiam a tensão sexual existente entre elas. A música nunca mais saiu da minha cabeça: “depois de prosa, muita história, falsas glórias resolveram se beijar…”. Pena que o áudio oficial da canção ainda não foi divulgado.
O que Juliana Sinimbú andou fazendo…
 
Em 2009, apresentou-se no Festival de Música Popular Paraense, promovido pela RBA, defendendo a música “Tinhosa”, um xote que levou o terceiro lugar na categoria de melhor composição. Naquele momento encerrou-se uma página de sua carreira, a dos festivais. Disputar não é sua intenção. Já ficou perceptível que sua música não é um feirão, mas tradução de sentimentos imersos em situações presentes no cotidiano do homem apaixonado e envolvido com a vida. Anteriormente, outro momento importante de sua carreira até aqui foi o show na festa de estreia em Belém da minissérie Maysa – Quando Fala um Coração. Onde Juliana interpretou grandes sucessos desta que é considerada uma das maiores cantoras da música brasileira de todos os tempos.
Em 2010 a cantora preparava-se para a gravação de seu primeiro CD. Sempre muito participativa, reuniu um repertório que pudesse traduzir a música em seus diferentes ritmos, o mais interessante, é que a artista não se limita a um segmento musical, não é a Juliana do Carimbó, ou do Brega, da Bossa Nova entre outros. O álbum, ainda em pré-produção, já possuía um nome provisório, mas como afirma em um vídeo promocional, não havia muita segurança em relação ao título, foi então que o inesperado aconteceu. Considerava-se apenas intérprete, cantava em rodas de amigos na faculdade, mas um dia resolveu terminar uma música iniciada por Felipe Cordeiro, nascia em uma manhã, Sonho Bom de Fevereiro, um samba de cacete, ritmo nascido no interior do Pará. O resultado foi tão bem aceito, que a canção passou a compor o repertório do CD.
Foi depois da descoberta do “Ser Compositor” que o trabalho pegou forma, e o título mudou, agora se chamaria Sonho Bom de Fevereiro e marcaria o fim de mais uma etapa na carreira, ou melhor, o início de algo novo. Não abandonaria seu lado intérprete, mas incrementaria com um dom, que é para poucos, o de transformar sentimentos em canções. Dentro desse contexto nascia o Show NUA IDEIA, um projeto seu com a banda Clepsidra, de Renato Torres, Arthur Kunz e Mauricio Panzera. O show serviria justamente para a experimentação do que vinha compondo.
Fotos: Aryanne Almeida
251787_2064818027032_5482934_n
252489_2064818747050_3155842_n
254938_2064819347065_7693879_n254453_225643010795528_100000494915609_929154_2605788_n
Era tudo ainda muito novo, e a melhor resposta para o escritor solitário é o contato de suas palavras com o público. A recepção foi ótima, as músicas autorais se incorporaram ao repertório de forma homogênea. É difícil, caso ela não avise, você perceber que não se trata da letra de um experiente compositor, mas sim uma música da menina, que até pouco tempo nem sabia que sabia compor. Infelizmente, Juliana tomou a decisão de não lançar o CD que tanto era aguardado pelos fãs, afirma estar em outro momento de sua carreira. Mas algumas músicas podem ser encontradas espalhadas pelos seus perfis nas redes sociais.
Materialmente o álbum não tomou forma, mas, isso não impediu que o repertório fosse usado para compor o show apresentado no circuito musical do Conexão VIVO, projeto que viajou o Brasil divulgando a música de vários cantores, paraenses e de outros estados, Juliana Sinimbú em Belém dividiu o palco com o Rei do carimbó, Pinduca. Na época a cantora afirmou estar muito honrada, pois considera o cantor um dos grandes mestres do ritmo que representa o estado do Pará.
Fotos: Ana Flor
154500_4091832701132_2089994953_n
163559_4091832301122_680460723_n
294863_2407711839163_1041532711_n
305237_2407710479129_474271452_n
Recentemente iniciou um novo projeto. Como tudo que faz, as bases de seu trabalho são sempre bastante simbólicas, há significado em tudo! O projeto UNA é uma série de quatro EPs que serão lançados virtualmente, cada um com uma temática diferente, representando elementos básicos ligados ao Pará: “O fogo é o sol do meio-dia, a comida mais quente daqui, a gente mais calorosa. A água é a chuva, manhãs que amanhecem assim, nubladas, num ritmo mais orgânico. O ar é a brisa, o rio. E a terra é o tambor” afirmou Juliana em entrevista ao jornal Diário do Pará.
Juliana Sinimbú convida o Charme do Choro…
389547_427126100684232_35699594_n
Show do dia 11 de Outubro | Foto: Sergio Malcher
Dia 27 de Outubro o público vai ter a oportunidade de prestigiar um encontro de lindas mulheres. Juliana Sinimbú subirá ao palco acompanhada das meninas do “O Charme do Choro”, um grupo com seis instrumentistas de muito talento. O sexteto já participou de inúmeros espetáculos importantes desde sua formação, em 2006. Destaca-se o I Festival do Choro da Casa do Gilson, importante reduto de artistas em Belém; De tirar o Chapéu (março/2010/2012), show com repertório de composições femininas e interpretações masculinas: Arthur Nogueira; Hélio Rubens; Olivar Barreto; Pedrinho Cavalléro e Renato Torres. E claro, o famoso Terruá Pará, que teve a participação do “Charme” em sua segunda edição, no ano de 2011.
ESPETÁCULO: “Juliana Sinimbú convida O Charme do Choro”. Dia 27 de Outubro (Sábado) no SESC BOULEVARD (Av. Boulevard Castilho França – Em frente à Estação das Docas), às 20 horas, comENTRADA FRANCA ^^ ParticipaçõesDiego Sinimbú, Natália Matos e Renato Torres.
72859_4091021200845_1724946498_n
Frenesi Cultural bateu papo com Juliana Sinimbú, saiba o que ela disse…

Frenesi: A música sempre fez parte da sua vida?
Juliana: Primeiramente, muito obrigada pela oportunidade de estar falando com vocês! Quanto a musica na minha vida, sim, acho que desde a barriga da minha mãe respondia positivamente as vibrações sonoras. Meus pais sempre ouviram música e passaram isso pros filhos na educação como bom costume.
Frenesi: Houve um tempo em Belém que se falava muito nas “varandas da Juliana Sinimbú”. Foi como tudo começou?
Juliana: Quanto ao início da música, se deu natural. Foi consequência de cantar nessas reuniões chamadas “varandas”, onde reuniam vários artistas pra rodas de violão. Até um dia que o Salomão Habib me deu oportunidade de abrir um projeto dele chamado Somar, no Pólo Joalheiro. Entrei de cabeça!
Frenesi: Em 2011, você participou de muitos shows e todos esperávamos o lançamento do seu primeiro CD “Sonho Bom de Fevereiro”. Por que ele não foi lançado?
Juliana: Sonho Bom de fevereiro foi um projeto amado e pensado para experimentar com a minha banda a sonoridade que estávamos trabalhando. O que aconteceu no meio do caminho foi que comecei a compor e descobri uma faceta mais interessante do que só ser intérprete. Além disso, o disco encontra-se na internet disponível pra download, lancei de forma virtual e não física. Fiz a circulação dele pelo “Conexão Vivo” e etc.
Frenesi: Então não foi abandonado?
Juliana: O projeto jamais foi abandonado. Até hoje os seguidores, cantam as canções, ouvem as músicas, pedem em shows e são geralmente executadas. Agora que faltou eu lançar o disco físico sim.
Frenesi: Nas redes sociais é do conhecimento de muitos que Juliana Sinimbú será mamãe! Você pode nos contar como está sendo essa experiência?
Juliana: Ser mãe é ligar o botão sem volta do amor maior. A experiência está sendo única e quem é mulher sabe do que eu estou falando. Estou coberta de amor.
Frenesi: Dia 27 de Outubro tem show autoral no Sesc Boulevard?
Juliana: Não se trata de um show autoral. Foi resultado de uma parceria linda com as meninas do Charme do Choro para uma apresentação na Feira do Livro desse ano que ficamos com pena de deixar só por lá. Já aconteceu outra edição no último dia 11 de outubro no SESC BOULEVARD e ganhamos outra data no dia 27.
Frenesi: O que o público pode esperar então desse show?
Juliana: O show é sobre a letra brasileira e nessa edição do dia 27 contará com participações, uma canção minha, além dos compositores brasileiros e paraenses que selecionamos pra estarem no repertório que foi escolhido com muito carinho.
Frenesi: A música paraense está em voga no Brasil inteiro. Como você vê essa “invasão paraense”?
Juliana: Tô achando muito legal essa invasão paraense no Brasil! Esse ano uma leva de artistas foram privilegiados e o time escolhido tava lindão! O Pará é antro de bons artistas e isso é motivo só de orgulho.
Frenesi: Você se identifica com esse grupo de cantores que estão tornando conhecidos alguns dos ritmos do estado?
Juliana: Talvez haja um movimento que restrinja a música paraense em Techno brega, carimbó e guitarrada, mas não vejo isso como uma desvantagem. Acho que faz parte dessa onda boa, mas nós paraenses sabemos que não é só isso. Que o Pará é bom representado em todas as suas cenas. E que a “música paraense” pode ser tranquilamente substituída pela “música brasileira feita no Pará”. Mas é bem inteligente esse movimento de fomento da música. Esse ano foi uma leva, ano que vem será outra, penso assim que a intenção é de mostrar as várias facetas.
Frenesi: O que Juliana Sinimbú reserva para o futuro?
Juliana: Vem projeto novo ai! Além do projeto mãe é claro! =)
AGRADECIMENTOS:
À Carol Germano, pela revisão minuciosa do texto.
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s