Sétima arte

Yossi, de Eytan Fox: O amor entre dois Israelenses

Você pode pensar: ah, lá vem ele novamente falar sobre filmes gays! É bem verdade que a temática é crescente e ainda muito em voga nesses tempos de “não se reprima” pós menudo (who?). Mas é interessante quando um país tão religioso e marcado por conflitos de ideias radicais, como é Israel, ter uma produção GLBT que explora de forma singela e sem estereótipos o amor entre dois homens, e o mais arriscado, dentro do exército, um contexto tão salutar para esse povo.

Yossi_et_Jagger_2002_Yossi_VeJager_1

yossi

Ano passado assisti ao filme A BOLHA (The Bubble, 2006), também de Israel, sobre o romance homossexual entre um israelense e um palestino (uau, dá pra imaginar isso?), que me chamou muita atenção pela ousadia da abordagem do tema.  Novamente uma produção daquele país me interessa, ou melhor, uma não, duas! Pois os filmes que eu vi são duas partes de uma mesma história.

O primeiro se chama Delicada Relação (Yossi e Jagger, 2002) que narra um período na vida do comandante Yossi, que estava servindo na fronteira com o Líbano, ele se relaciona com o suboficial Lior (Jagger) que está servindo no mesmo posto. Uma relação das mais complicadas, visto que Yossi é um respeitado militar que se esforça pra manter uma pose de durão, e que acaba por sufocar o relacionamento dos dois, isso porque Lior é bem diferente, mais liberal e aberto aos gostos e peculiaridades do mundo gay.

No segundo filme, chamado apenas de Yossi (Yossi, 2012) narra o que aconteceu ao oficial depois de passados dez anos dos acontecimentos que culminaram na mudança de todos os seus planos. Ele se tornou médico e tenta conviver com o sentimento de solidão, nem as várias tentativas de seus colegas de trabalho conseguem fazer com que ele seja retirado desse poço de lembranças negativas. Será que para se esquecer de um amor, só mesmo outro amor? Ou a volta do amor do passado é a única resposta para reencontrar a felicidade? São algumas perguntas que podem ser levantadas e respondidas com esse filme.

yossiandjaggerpic

O diretor Eytan Fox já é um mestre no assunto, todos os filmes citados neste texto foram dirigidos por ele. Volto a repetir, abordar a temática da homossexualidade em um país tão fundamentalista é pra poucos, um cinema marginal, que conta com uma produção simples, porém expressiva. O talento dos atores e a forma meio documental que os filmes são apresentados deixa tudo ainda mais próximo do espectador, é bom começar o ano já se defrontando com temas polêmicos em lugares inusitados.

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