Sétima arte

O Amor no Cinema dos Anos 10

Sim, anos 10! Afinal é dessa forma que chamarão os anos em que nós estamos vivendo, quando nossos netos dominarem o mundo. Lamento desapontar aqueles que pensavam ser este post sobre o cinema mudo do início do século passado, pois não é! Vamos falar sobre filmes atuais, que podem até mesmo estar em cartaz nos cinemas da sua cidade.
Os “escritos sagrados” afirmam que: de tudo que existe, a única coisa que restará é o amor… Mas, que tipo de amor? Ao longo das décadas vemos cada vez mais esse sentimento se transformar, você pode até alegar que a essência do verdadeiro amor é imutável, ok! Não iremos discutir isso, mas você há de convir que a metodologia de se amar alguém mudou, e mudou muito.
O comportamento do homem e da mulher nas grandes cidades teve que sofrer adaptações, o ritmo acelerado da vida, a crescente urbanização e o desenvolvimento cada vez mais frenético da tecnologia nos deixou próximos e longe uns dos outros, tudo isso ao mesmo tempo! Que paradoxo, apesar de convivermos com ele todos os dias, não nos acostumamos, vira e mexe lemos um texto (como este) ou assistimos alguém refletindo sobre o comportamento da sociedade na contemporaneidade.
Chegou ao cinema também essa reflexão, ou melhor, o cinema conseguiu acompanhar as transformações do ser humano, e produz filmes que abordam essa temática, cada dia de forma mais natural, sem ter que polemizar, ou afligir o espectador.
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Eu selecionei três filmes que assisti este ano e que me trazem de vários ângulos essas alterações no romance do século XXI.
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O primeiro deles é A Delicadeza do Amor (La Délicatesse, 2012) um filme francês estrelado por Audrey Tautou e François Damiens. Logo no início o filme começa com uma história de amor bem resolvida; dias felizes e uma promessa de “eternamente”, é obvio que pela lei da dramaturgia, todo início feliz supõe no mínimo um clímax bem tenso. A perda de alguém pode trazer marcas profundas, mas, o pior para a pessoa que fica é talvez o recomeço, colocar a vida na normalidade é tarefa das mais árduas, e quando menos se espera e se acredita um novo amor pode ser um trampolim para a felicidade. O que poderia ser um grande dramalhão, se tornou nas mãos dos diretores David e Stéphane Foenkinos uma história delicada e crível, os personagens são bem afiados e alinhados, há um entrelace entre os atores o que ajuda na fluidez do enredo. Um dos melhores filmes do ano até agora.
Na sequência vem Medianeras: Buenos Aires na era do amor virtual (Medianeras, 2011). Exemplo mais perfeito sobre a vida de um jovem trabalhador solteiro nas grandes capitais não há. O título casa bem com a proposta da história, “medianeras” é a lateral dos prédios, os lados que não possuem janelas, há apenas um paredão de concreto, muito utilizado para publicidade, no filme eles estão ligados à sensação de claustrofobia, e ao isolamento do ser humano. Versando o exagero do uso da tecnologia para resolver os problemas do cotidiano com a própria dificuldade em viver no mundo real, um casal, Martin (Javer Drolas) e Mariana (Pilar López) que têm muito em comum e que moram alguns passos um do outro correm o risco de nunca se encontrarem porque vivem exatamente essa realidade do distanciamento das metrópoles. Retrato inteligente e minimalista da vida na atualidade, o amor na era digital em sua melhor representação.
Encerrando minha trilogia de dicas tem Adeus, Primeiro Amor (Um Amour de Jeunesse, 2010);  por favor, é imprescindível que você não durma durante o filme, nem que desista de assisti-lo, gosto de ser franco, não é uma paixão arrebatadora, cheia de diálogos calorosos e tocantes, pelo contrário, é lento, frio e racional. A história vai tratar da fase em que quase todos nós já passamos, a que sofremos a primeira desilusão amorosa, o famoso “meu mundo caiu!”, mas veremos na trama que o tempo passa, e que tudo se ajeita, até o primeiro amor voltar à cena novamente, e o que parecia uma estrutura sólida acaba sofrendo abalos, e aí o que fazer?  Excelente retrato de alguns desencontros amorosos. Talvez você se irrite com as atuações que beiram o amadorismo, mas, para alguns, isso até põe mais realismo à trama, depende do seu ponto de vista.
Espero que esses filmes te ajudem a entender um pouco as relações desses tempos, que nas palavras de uma amiga minha se caracterizam pela seguinte situação: o príncipe encantado já veio, te c*meu e foi embora e você nem viu!… porque tava preocupada demais com as notificações do Face. 
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