Artigo/História

“Ver-o-Peso” da tua história

Tem como registro sua inauguração em 27 de março de 1627, localizado na Boulevard Castilho França, entre o igarapé Pirí e a baía do Guajará. Por tratar-se de uma área privilegiada, e por ali se instalarem as principais edificações na época e haver o grande fluxo de pessoas, o Pirí se tornou ponto de chegada e saída de embarcações, ligando Belém com o mundo. Mas a denominação “Ver-o-Peso”, só iria se manifestar em 1687, através do governador Francisco Coelho de Carvalho, que fez um pedido ao rei de Portugal, por meio de uma concessão para obter impostos sobre as mercadorias que por ali transitavam. Com seu pedido deferido em 1688, por uma Próvisão-Régia foi criada a Casa do “Haver-o-peso”, projetada no Brasil em 1614, destinada a conferir precisamente o peso das mercadorias oriundas da colônia. A partir de então popularmente conhecido como Ver-o-Peso e sendo mantido como nome oficial do mercado.

Entre os séculos IX e XX, o mercado sofreu grandes transformações, tanto em sua funcionalidade quanto na forma paisagística, visando adaptar-se às necessidades e gostos da Belle Époque. Não em detrimento do local, que apesar das mudanças nunca teve uma perda total de sua identidade estética e social. Mistura o antigo com o presente, recentemente completados 385 anos o local coleciona estilos arquitetônicos, com elementos neoclássicos, góticos e barrocos. O que é mérito da absorção desses quase 4 séculos de existência, é delineado pelo tempo,pelas vivências, transformações e miscigenações.

Doca do Ver-o-Peso

Mercado de Ferro

O Ver-o-Peso é considerado a maior feira livre da América Latina. É onde Belém acorda, se abastece e mostra sua diversidade e riqueza de frutos, iguarias, peixes, temperos e ervas medicinais fornecidos principalmente por via fluvial. Além de produtos encontrados em qualquer feira do mundo. Local de pluralidade cultural, onde todos os sentidos se aguçam, servindo de inspiração para gastrônomos, artistas, jornalistas. Atende às necessidades da população e deslumbra a quem desconhece sua variedade de produtos fornecidos no complexo.

cores

Gastronomia local

Fotografia: Hely Pamplona

Tendo cerca de 35 mil metros quadrados e segundo a Secretaria Municipal de Economia (SECON), cerca de 2.500 pessoas, entre consumidores e trabalhadores circulando no local por dia. O cotidiano entre eles é construído por uma rede de sociabilidade, que reforça os laços do lugar e as percepções do mesmo. Uma troca de saberes, hábitos, idiomas. O que torna para ambos um ato mais prazeroso, entre perspectivas diferentes. Engrandecendo um relacionamento casual em torno de um ambiente receptivo.

Complexo Ver-o-Peso e a cidade de Belém

Complexo do Ver-o-Peso e cidade de Belém do ângulo oposto  a imagem acima

“Entre a cultura das classes dominantes e a das classes subalternas existiu, na Europa pré-industrial, um relacionamento circular feito de influências recíprocas, que se movia de baixo para cima, bem como de cima para baixo” (GINZBURG, 1987, p.13).
Deixa de ser uma motivação comercial, para criar um vínculo afetivo local e pessoal. Esse contato caloroso que acontece em feiras em geral.
A feira do Ver-o-Peso faz parte de um complexo paisagístico e urbanístico que foi tombado em 1977 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), e possui um conjunto de igrejas, casas e outras edificações de influência europeia, assim reconhecido como Patrimônio Material.
Fotografia: Daniel Alexandre
Seu Patrimônio Imaterial foi reconhecido através de um inventário, realizado pela Associação das Erveiras e dos Erveiros do Ver-o-Peso (Ver-as-Ervas) em parceria do Iphan e com o patrocínio da Petrobras, por meio da Lei de Incentivo à Cultura, seguindo a metodologia do Inventário Nacional de Referências Culturais (INRC), realizado entre 2008 e 2010.
 Pesquisas históricas, fotografias, mapeamentos de boxes e barracas, entrevistas, filmes. Um material tão extenso que culminou em uma exposição realizada no período de 29 de novembro a 28 de dezembro de 2011. Foi enriquecedor poder visitar essa exposição. Uma longa viagem às salas do Iphan que me teletransportaram para o mercado. Com grande acervo fotográfico de vários períodos do Ver-o-Peso, vídeos com trabalhadores e pessoas que contribuíram para o projeto, barracas com produtos concedidos por feirantes que são diariamente vendidos no local. Era só uma mostra de quanto o mercado é extenso, convidativo, acolhedor e dinâmico. Passei cerca de 1 hora percorrendo todos os espaços da exposição e nada melhor que sair de um ambiente simulado para o real.
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