Sétima arte

Matheus e os Percalços do Cinema

Matheus Souza, um brasiliense que se mudou para o Rio de Janeiro aos 7 anos. Em seus fins de semana fazia maratonas de filmes com o pai, e assim surgiu mais um cinéfilo.
Por causa de Woody Allen resolveu ser cineasta, ingressou no curso de cinema da PUC-Rio. Com 19 anos, no segundo ano do curso, escreveu o roteiro de seu primeiro longa-metragem, “Apenas o Fim”.
Apenas o Fim (2008), realizado ainda cursando cinema na PUC, local que protagonizou as filmagens e que teve a equipe técnica integrada por colegas da faculdade. O longa custou cerca de 8 mil reais, dinheiro adquirido principalmente pela rifa de uma garrafa de uísque. Valor irrisório para quem trabalha com cinema, mas que rendeu prêmios no Festival do Rio (Menção Honrosa e Melhor Longa Ficção) e na 32ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo (Melhor Longa Brasileiro de Ficção), resultado surpreendente para quem nunca havia dirigido sequer um curta-metragem, impulsionando a carreira de Matheus .
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O elenco foi composto por amigos do grupo de teatro do qual ele participava, ‘O Tablado’, com os atores Erika Mader e Gregório Duvivier como protagonistas. O filme tem diálogos sagazes, voltados para cinéfilos, geeks e cultura pop. De forma cômica e reflexiva acompanhamos o casal ao fim de um relacionamento. A inspiração de Woody Allen transparece nesse seu primeiro trabalho que é rico em diálogos, tão intensos e divertidos.
Em seu segundo longa “Eu Não Faço a Menor Ideia do que Eu Tô Fazendo Com a Minha Vida” (2012), Matheus compete no Festival de Gramado, e inconformado com a ideia de ser o único a não ter o cartaz de seu filme colado no Palácio dos Festivais resolveu improvisar. Com canetinhas, adesivos infantis e bom humor,  fabricou cartazes com as próprias mãos.
“Como não tinha verba para mandar fazer, eu mesmo dei um jeito”
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Esse seu segundo longa custou cerca de R$ 20 mil, juntou pagamentos de outros trabalhos como roteirista para financiar o projeto, mas para isso ficou três meses sem pagar as contas da sua casa.
“Ao longo do processo, cortaram meu gás, a luz e a internet. A única conta que paguei foi a do celular porque precisava dele para produzir o filme.”
Matheus ainda compara os dois filmes dizendo que perto do primeiro, esse é uma superprodução. Lembra do discurso que fez para o homem que apareceu à sua porta para cortar o gás.
“Tentei convencê-lo dizendo: ‘Apoie o cinema nacional, não corte meu gás’, mas não deu certo.”
O filme conta a história de Clara (Clarice Falcão), jovem estudante de medicina que começa a matar aulas por não saber se é essa a profissão que realmente quer seguir. Com a ajuda de um jovem (Rodrigo Pandolfo), Clara começa uma aventura de experimentação por diversas atividades. Assim como a primeira produção de Matheus Souza, “Apenas o Fim”, o novo longa se concentra nos diálogos criativos que retratam o mundo jovem.
Matheus vem se mostrando ousado, criativo, irreverente e que veio para ficar na história do Cinema Nacional. Destacando-se como cineasta da nova geração, assim como Esmir Filho e Daniel Ribeiro,exalando paixão pela sétima arte, atravessando obstáculos que alguns diriam “imposíveis”, mas ele está chegando lá. Já deixou claro que tem dez roteiros escritos, então… desistir? Acho que não, vamos acompanhar.
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